Entre Nós #3
- Beatriz Samaia
- 13 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Oi meninas,
Enquanto pensava no conteúdo dessa carta, não pude deixar de fora como me senti essa semana. Um dos motivos, inclusive, de criar esse canal semanal era para ter um espaço onde eu pudesse me abrir mais e falar de assuntos que são mais complicados nas redes sociais.
A verdade é que essa semana foi difícil, e ainda está sendo. Não só pelas pequenas demandas que se acumulam, mas por algumas coisas importantes que aconteceram. Sabe daquelas que frustram, que decepcionam, que dão um nó dentro de nós? Coisas que você tenta digerir em silêncio enquanto a vida continua, como se nada tivesse acontecido.
No meio disso tudo, continuei, como toda mãe.
Organizando lancheira, ouvindo histórias da escola, dizendo “já vai” mil vezes, enquanto por dentro tentava encontrar uma parte de mim que estivesse inteira o suficiente para sustentar o resto. É uma sensação estranha. Como se algo dentro de você estivesse pedindo ajuda, mas você estivesse rodeada de gente e mesmo assim, sozinha.
É disso que quase ninguém fala: da solidão que mora na maternidade. Não a solidão física. Essa até que é rara quando se tem filhos pequenos (😂). Mas a solidão de ser a única que sabe o que está sentindo por dentro, o que está tentando resolver, o que está abrindo mão.
É uma solidão que acontece até mesmo quando você está cercada pela família, e não por culpa deles e sim porque, na vida de mãe, as vezes não tempo e nem energia para falar, se abrir. E, outras vezes, porque não queremos nos abrir mesmo.
E no meio do turbilhão interno e das decisões que precisamos tomar, não nos permitimos desmoronar. Afinal, se pararmos, quem continua? Então seguimos, com um sorriso, com uma palavra de incentivo pros filhos, com a calma aprendida à força. Mas durante toda essa semana dentro estava um turbilhão de emoções.
Mas aqui está algo importante, a resposta pra isso não está, como o mundo tenta nos convencer, em largar tudo e ”se priorizar”. Está em encontrar um lugar dentro de si onde a alma respira. Um lugar onde você se lembra que sentir não é fraqueza, é humanidade. E que reconhecer a emoção já é, por si só, um passo de coragem.
Daniel Goleman, autor que gosto muito, fala sobre essa coragem: a de olhar para o que sentimos sem deixar que isso nos governe. Sentir é parte da vida. Mas ser dominada pelas emoções… é abrir mão do leme.
E nós, mães, não temos o luxo de entregar o leme.
Tem dias que tudo em mim pede fuga. “Vai dar uma volta”, “Desiste de manter tudo em ordem”, “Deixa pra lá”.
E eu sei que, às vezes, o descanso é justo. Mas tem uma diferença entre descansar e abandonar o que é sagrado.
A vida moderna vende uma ideia de alívio rápido, prazer imediato e individualidade acima de tudo.
Mas, se a gente for honesta, sabe que isso não sustenta nada. A liberdade verdadeira não está em fugir da responsabilidade, mas em encontrar sentido dentro dela. Não é fácil. Mas é real, profundo e muito transformador.
E talvez por isso, a maternidade seja tão sagrada. Porque ela nos força a lembrar o que importa, mesmo quando estamos perdidas de nós mesmas. Ela nos obriga a ancorar nos nossos valores, na nossa fé, no nosso amor. Ela nos lembra que construir uma família é plantar sementes, todos os dias.
Se você, assim como eu, se sentiu sozinha essa semana ou em algum momento, ru só queria te lembrar que não está. Tem outras mulheres tentando se encontrar também. Respirando fundo no banheiro, chorando no carro, servindo o jantar mesmo com o coração apertado.
E tem algo de profundamente belo nessa entrega silenciosa. Ela não aparece em foto nenhuma, em post nenhum. Mas aparece para Deus.
Com carinho,
Beatriz

Excelente texto! Profundo, reflexivo e toca até ao coração e a vida! Parabéns!!!