As Férias e o Cotidiano: O que Realmente Fica?
- Beatriz Samaia
- 31 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
Nas férias, tudo parece mais leve. Temos menos pressa, os compromissos não são urgentes, e o tempo parece que se expande. Os filhos parecem mais livres, temos a sensação de finalmente estar presentes em suas vidas, e a rotina, por um breve instante, deixa de nos moldar.
É como se a vida se tornasse mais palpável. Os dias longos, os pés descalços, as refeições sem correria, as conversas sem olhar o relógio. Sentimos na pele a verdade de que a infância passa rápido e que um dia teremos saudades desses momentos.
Mas e se a beleza das férias não estivesse apenas na ausência de obrigações, mas no olhar que adotamos? No respiro que permitimos?
Quantas vezes já nos pegamos desejando que a vida fosse sempre assim—sem pressa, sem cobrança, sem tantas demandas? Mas a verdade é que a vida real acontece justamente no que chamamos de cotidiano. O cotidiano, esse grande vilão das mães cansadas, carrega em si uma beleza que muitas vezes passa despercebida. É o cotidiano, tão temido por muitos, que nos dá a chance de sermos verdadeiramente lar, de sermos verdadeiramente colo. Ele constrói laços na repetição, na previsibilidade e na consistência, que dá aos pequenos segurança.
As férias podem ser um respiro, mas é no cotidiano que a história da nossa família se escreve. É ali, no dia após dia, que a criança encontra seus portos seguros, seus pequenos rituais de amor.
Talvez a chave não seja fugir da rotina, mas encontrar dentro dela os instantes de presença que tanto buscamos nas férias. O café da manhã juntos, o cheirinho do cabelo dos nossos filhos depois do banho, o abraço demorado antes de dormir.
Porque a infância não acontece só nos dias leves. Ela acontece no meio da pressa, das tarefas, das repetições. Acontece nos momentos em que não estávamos planejando nada extraordinário, mas estávamos ali, presentes, disponíveis, sendo o chão seguro dos nossos filhos.
No fim, são esses dias comuns que se tornam inesquecíveis. São eles que moldam não apenas a memória das crianças, mas também quem elas se tornarão. E quem nós nos tornamos ao longo dessa jornada.
Que possamos olhar para a nossa rotina com mais carinho. Que possamos perceber que cada dia comum carrega dentro de si a semente de algo eterno. Com carinho, Beatriz Samaia



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