top of page

Entre Nós #1

Atualizado: 6 de jun. de 2025

O heroísmo oculto da vida comum: a maior batalha é interior

Hoje, inauguro esse nosso espaço "Entre Nós" com uma frase que, tantas vezes, me atravessa e me ajuda a recolocar a vida no eixo (inclusive essa semana cumpriu seu devido papel):

“O heroísmo é esperado de todo cristão: heroísmo no grande combate interior, que nos leva a santificar a vida comum.”— São Josemaria Escrivá

Vivemos tempos em que a ideia de heroísmo está sempre associada a grandes feitos, realizações épicas ou mudanças grandiosas. Mas, com o tempo, e especialmente com a maternidade e a educação dos filhos, fui entendendo que o maior heroísmo é aquele que ninguém vê. É essa batalha silenciosa, escondida, que acontece dentro de nós todos os dias.

E se há algo que a maternidade me ensinou (e que sigo aprendendo!) é que essa é, sem dúvida, a batalha mais importante, a mais desafiadora e, ao mesmo tempo, a que mais transforma a nossa vida…e a dos nossos filhos. O verdadeiro campo de batalha

Santa Teresa de Ávila dizia:

“A alma não é outra coisa senão um castelo todo de diamante ou de límpido cristal, no qual há muitos aposentos.”

E é nesse castelo interior que o verdadeiro campo de batalha acontece: não fora de nós, mas nesse espaço escondido, cheio de cômodos, histórias, medos, fragilidades…mas também repleto de força, esperança e amor.

Na maternidade, esse combate se intensifica, e talvez, por isso, doa tanto e, ao mesmo tempo, nos molde tanto. Lutar contra a impaciência, contra o egoísmo, contra a necessidade de ter o controle de tudo…Lutar contra aquela vontade sutil de desistir, de fazer o mínimo, de evitar o esforço. E, ao mesmo tempo, escolher, todos os dias, a presença, a generosidade, o perdão, a mansidão, o serviço silencioso.


Essa é a batalha que educa. Essa é a luta silenciosa que os filhos observam, mais do que qualquer discurso, mais do que qualquer livro ou conselho. São Josemaria também falava tanto sobre a santificação da vida comum, e como isso me inspira! Aliás, conhecer São Josemaria Escrivá mudou a minha vida em todos os aspectos.

Não se trata de procurar coisas extraordinárias para nos sentirmos mais próximas de Deus, mas de perceber que é justamente na rotina, na repetição, nas tarefas aparentemente pequenas, que somos chamadas a crescer em virtude e amor.


Educar um filho, então, é um ato profundamente espiritual, não porque envolve grandes decisões o tempo todo, mas porque exige a coragem de fazer bem, com constância e amor, aquilo que muitos desprezam como trivial:

  • preparar o café da manhã

  • ensinar a amarrar o cadarço

  • repetir, pela centésima vez, a mesma orientação

  • acolher mais um choro…


Tudo isso é heroísmo.Um heroísmo que molda não apenas a alma da mãe ou do pai, mas também, e sobretudo, a alma do filho, que observa e aprende não só o que falamos, mas, principalmente, como vivemos.


Educar exige autoridade. Mas, como tantas vezes repito: a verdadeira autoridade não nasce da força, nem da imposição. Ela nasce da coerência interior. Quando uma mãe ou um pai vence uma pequena batalha interior (por exemplo, quando escolhe a paciência em vez do grito, a escuta em vez da reação impulsiva), essa vitória silenciosa gera uma autoridade verdadeira, que é serena, que é firme, que é segura.


Não é preciso levantar a voz. Basta a presença de quem, dia após dia, segue lutando e vencendo esse grande combate silencioso. Por isso, a maternidade e a paternidade são, antes de tudo, um chamado à conversão pessoal. A melhor educação que podemos oferecer aos nossos filhos não é a que damos de fora para dentro, mas a que acontece de dentro para fora.


A vida comum é o caminho

Santa Teresinha do Menino Jesus dizia:

“A santidade não consiste em tal ou tal prática, mas numa disposição do coração que nos torna humildes e pequenos nos braços de Deus.”

E é essa disposição (de humildade, de entrega, de confiança) que transforma a vida comum numa verdadeira escola de virtude. Quando falo tanto sobre “a doce vida comum”, não é porque a rotina seja sempre leve ou fácil…


Quem é mãe sabe bem o quanto ela pode ser pesada, exaustiva, repetitiva. Mas é justamente nesse lugar cotidiano, ordinário, que Deus nos espera. É nesse ordinário que somos forjadas. E é nesse ordinário que formamos nossos filhos.


Por fim, deixo essa reflexão, que é, também, um compromisso pessoal:


O maior serviço que prestamos aos nossos filhos é o da nossa própria luta interior, é o de ser melhor. Eles não precisam de pais perfeitos, eles precisam de pais em combate. Pais que reconhecem suas fraquezas, que pedem perdão, pais que se levantam quando caem, pais que seguem tentando, que olham para dentro.


Esse é o heroísmo que santifica a vida comum.Esse é o heroísmo que educa.


E é por isso que sigo, todos os dias, tentando viver bem, com amor, a minha missão...para mim, para minha familia e, espero, para você que caminha Entre Nós.

Com carinho, Beatriz Samaia

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page